O Livro dos Espíritos
"Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo." (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5.)
Nos centros de cultura evangélica dos tempos apostólicos, as cartas de Paulo de Tarso aos cristãos de várias comunidades eram lidas e trocadas para as elucidações devidas e o primeiro culto do evangelho no lar na casa de Pedro mostra a importância do estudo em família.
Revivendo o cristianismo puro, os Centros Espíritas têm mantido estudos sistemátucos, destinados a clarear o pensamento religioso e traçar diretrizes à vida espiritual.
No livro Estude e Viva, ditado por Emmanuel, no capítulo “Na Escola da Alma”, encontramos o seguinte trecho:
“Não alcançaremos a libertação verdadeira sem abolir o cativeiro da ignorância do reino do espírito. Quem aspire a entesourar os valores da própria emancipação íntima, à frente do universo e da vida, deve e precisa estudar”.
Segundo os ensinamentos espirituais, “nós, espíritas, somos induzidos a estudar voluntariamente porque sabemos que o Espiritismo é luz no coração e no espírito. O estudo deve ser para nós obrigação, em qualquer idade ou circunstância da vida”. E Emmanuel, In “Entrevistas”, pergunta 63, nos diz:
“Todos nós, sejamos crianças ou jovens, adultos ou já muitíssimo maduros, devemos estudar sempre”.
Na questão 204, do livro O Consolador, foi perguntado a Emmanuel: a Alma humana poder-se-á elevar para Deus tão-somente com o progresso moral, sem os valores intelectivos? E obteve-se como resposta:
“O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita”.
Após o desencarne, o Espírito possui oportunidade de se aperfeiçoar na erraticidade. Então, há cursos no mundo espiritual? André Luiz nos conta no livro No Mundo Maior, capítulo XVII, que quando ele e Calderaro estavam reunidos à comissão de trabalho socorrista que operaria nas cavernas de sofrimento, a irmã Cipriana, que chefiava as atividades, perguntou: “- Pretende o irmão André seguir em nossa companhia?” Calderaro respondeu: “- Foi o próprio Instrutor Eusébio que lembrara a conveniência da visita de André aos abismos purgatoriais, uma vez que se achava interessado em obter informes da vida nas esferas inferiores para relatá-los aos encarnados”.
A diretora fixou em André o olhar lúcido e meigo, como a lastimar a impossibilidade e acrescentou:
“- Nosso estimado André não tem o curso de Assistência aos sofredores nas Sombras espessas”.
Depois, afagou André de leve com a destra carinhosa e disse: “- Se nos é indispensável obter difíceis realizações preparatórias a fim de colhermos o benefício das Grandes Luzes, é-nos imprescindível a iniciação, para ministrarmos esse mesmo benefício nas “Grandes Trevas”.
Do livro Evangelho em Casa, Terceira Reunião, ditado pelo Espírito de Meimei e psicografado por Francisco Cândido Xavier, retiramos o trecho intitulado “O Sustento do Corpo e do Espírito”:
“Certo aprendiz, em conversa com o professor, queixou-se de grande incapacidade para reter as lições.
Sentia-se sonolento, desmemoriado...
Ao cabo de alguns instantes de leitura, esquecia de todo os textos mais importantes, ainda mesmo os que se referissem às suas mais prementes necessidades.
Que fazer para evitar a perturbação?
Travou-se então entre os dois o seguinte diálogo:
- Meu filho, quando tens sede, foges do copo d’água?
- Impossível. Morreria torturado.
- Quando nu, abandonas a veste?
- De modo algum. Não dispenso o agasalho.
- Esqueces de levar o alimento à boca, ao te apresentarem a refeição?
- Nunca. Como poderia andar sem comer?
- Pois também não podes viver sem educação – concluiu o orientador.
- Lembra-te dessa verdade e estarás acordado para os ensinamentos de nossos mestres.
O mentor do grupo esboçou silencioso gesto de bom humor e salientou:
- Nossa alma precisa estudar e conhecer, tanto quanto nosso corpo necessita de respirar e nutrir-se”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário